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GP HERMES

Hermes: Este é o nome que os Gregos davam a Mercúrio, de uma palavra de sua língua que significa interpretação, pela razão de ele ser mensageiro e intérprete dos deuses. Reverenciava-se sob este nome como deus da eloqüência, e em respeito a isto se representava na figura de um homem de cuja boca saíam como pequenas cadeias que iam parar nas orelhas de outras figuras humanas, que exprimiam aos ouvintes que ele encadeava pela força do discurso (De um Dicionário Antigo)

Líder: Prof. Dr. Edmilson Alves de Azevedo

A LIGAÇÃO, ou, como julgar

O fio-comum da Linguagem, unindo pensamento e criação, que se junta, por fim, com a criação, a obra como elementos de um todo fragmentado e segmentado que convergem na sua errância, assim talvez afigura mais perfeita figura para representar a filosofia, é a figura emblemática do Labirinto de Dédalo. Isto representa ainda o sentimento aporético da Filosofia na sua capacidade julgar, quando esta busca ultrapassar os limites do humanamente possível.

Daedalo: artífice, experimento, espírito de invenção, e os começos da técnica na arte do Ocidente.

Dédalo, criador do labirinto, é o senhor da racionalidade e da invenção; Teseu é o herói empreendedor, o viajante; Ariadne, a portadora da intuição, marca feminina de que Teseu se utiliza em sua aventura. A viagem de ida e volta ao centro do labirinto seria uma alegoria acerca da morte e da ressurreição, embora comporte outros significados. Tal viagem pode conduzir o indivíduo para dentro de si mesmo, a uma espécie de santuário interior, no qual é possível encontrar-se o que há de mais misterioso no ser humano.

Hic quem Creticus edit Daedalus est laberintus de quo nullus vadere quivit qui fuit intus ni Theseus gratis Ariane stamine jutus.

(Este é o labirinto que o cretense Dédalo construiu, do qual ninguém nunca conseguiu sair, a não ser Teseu, graças ao fio de Ariadne).

A etimologia do termo labirinto aponta para uma derivação que se entronca com lábrys, machado de corte duplo. Aqui nos ocorre duas associações: o machado de duplo corte/dupla lâmina conta um sentido relifioso, ainda mais a duplo corte do machado, em dois lugares, está relacionado também com os caminhos que se bifurcam, se dividem.

O labirinto nos sugere a interpretação, a exegese, o embaralhamento e entrelaçamento de encruzilhadas; corredores ramificados, risomas infinitos que seduz de forma irresistível o intérprete em mil e um percursos. O labirinto representa um facínio universal com o seu simbolismo, inerente à sua natureza gráfica de traçado aporético; caminhos delongado dentro de um espaço mais curto. Nesta imagem mental o labirinto leva ao pensar.

Segundo a tradição mitológica, enfatizado pelo uso que dela fez Platão, o labirinto se apresenta como uma figura singularmente isolada, solitária: reino solitário do Minotauro, reino este cujo verdadeiro senhor é um artífice, Dédalo. Este aparentemente está à sombra de Minos. O nome daquele exorta na sua multiplicidade de sentidos aquilo que o labirinto tem de mais íntimo e secreto. [e pela segunda vez Dédalo recebeu a missão de encontrar a saída para a aporia - Detienne]. Seguindo análogo modelo intelectual, em Platão o labirinto é representado na figura de uma única metáfora a ele dedicado: um modo de aporia no encaminhamento dialético. No Eutidemos, quando cada uma das ciências se revela inapreensível no momento em que estamos prestes a apreendê-la: “Como se tivéssemos caído no labirinto, quando, pensando que já tivéssemos chegado ao fim (telos), ainda nos encontrássemos, por assim dizer, após haver dado uma volta sobre nós mesmos, no início de nossa busca, e tão pouco avançados quanto estávemos ao começar a nossa investigação” (Platão - Eutidemo 291b). Labirinto onde se caiu numa armadilha, onde os desvios, as sinuosidades, as curvas se enrolam sem chegar ao fim, onde a aporia é anunciada pelo telos inapreensível, pela impossibilidade de fazer coincidirem o fim e o começo, à maneira do impulso de Delos ou do vôo do grou.

A história é conhecida. Ela comporta quatro personagens: Dédalo, criador do labirinto, senhor da racionalidade e da invenção; Teseu herói empreendedor, viajante; Ariadne, portadora da intuição, traço feminino utilizado por Teseu na sua aventura. A vuagem de ida e volta ao centro do labirinto representa é uma alegoria cerca da morte e da ressurreição, dentre outros significados. Viagem essa que pode conduzir o indivíduo para dentro de si mesmo. A figura abstrata de um espaço aporético, colocando para outros o cuidado de explorar os valores do centro ou da caverna que pode ser nós ou o mundo. Esse espaço móvel onde a inteligência de quem conhece o reto e o curvo, o princípio e o fim, põe-se a ler no vôo do grou e na espiral um parafuso sem fim. Figuras da filosofia e da interpretação infinita.

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